Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

mar de rosas.

e aí? o que vamos fazer, agora?
todas as horas do relógio já passaram, todos os segundos já findaram.
não temos mais para onde ir.
passamos por todos os pontos finais.
o carro circulou por todos os bares mais sujos.
já jogamos todos os cigarros pela janela - junto com minhas calças, molhadas do banho que fiz questão de tomar, naquele mar desconhecido.
tem areia até dentro dos nossos ouvidos, mas não o suficiente pra nos impedir de ouvir o pneu cantar no asfalto ainda quente - como nós.
você me chama de "meu amor" e eu te chamo de "my boy". me sinto cafona, mas é assim mesmo que eu quero me sentir.
o outro par da sua bota está perdida em algum lugar do carro. queria ter forças pra procurar, mas prefiro deixar o cansaço tomar conto dos meus músculos.
nossos cabelos cobertos de poeira, mas insisto em manter todas as janelas abertas.
sinto algo doer, no canto da boca. olho pra sua e vejo algum vestígio de sangue.
vodka. "não dê vodka a um homem selvagem".
rio sozinha e você não se esforça em saber porque. talvez por já me conhecer a ponto de saber que é por alguma aventura.
por alguns momentos me concentro em sua boca, no resto de sangue, e na sua mão, que descansa em sua própria coxa.
"how beautiful is could a being be?"
tenho certeza que quando o filho do caetano veloso compôs essa música, ele fez pensando em você.
em sua barba, suas mãos repousando em sua própria coxa e na sua boca, com meu sangue e um cigarro no mesmo canto.
me lembro de quando você entrou no meu inferno pessoal. do quanto eu te quero desde sempre.
e você nunca me quis.
mas quando eu desisti de você, foi pra fazer você me querer. e você quis.
linhas certas, caminhos errados, sentimento desproporcional.
pra você é só aventura, enquanto pra mim, ter um ferimento na boca e coração, é como estar em um mar de rosas particular.
"gimme danger little stranger" nunca fez tanto sentido. sinto como se os deuses estivessem com os olhos em cima de nós e fossem nossos DJ's.
é destino. coincidência não existe. rio mais uma vez. e mais uma vez, ele me ignora.
o escuro da noite está começando a perder força. parece estar conectado aos meus reflexos.
você, depois de horas completamente calado, sussurra algo. não ouvi. pois ouvia a mim mesma.
"o que?", falei, com a voz ainda rouca.
ele diz:"nada não", enquanto aponta, pra uma linha dourada azulada, que nasce longe, longe.
"tá amanhecendo, my boy... e aí? o que vamos fazer, agora?"

ele acelera.

Sábado, 27 de Junho de 2009

de mim.

eu sempre quis ser só um pouco de alguém. e não apenas minha.
sempre quis que alguém me assumisse, usando o "minha", no lugar de "amor".
porque amar é fácil. mas ter, ME TER, nunca foi.
sempre quis poder encostar a cabeça no ombro e poder curtir o silêncio que canta, mas grita dentro de mim.
a incerteza se desespera, enquanto minha boca permanece muda e o coração sapateia, quase saindo do peito.
e eu só queria poder ser "a minha" de alguém, enquanto imagino que o silêncio dentro, igualmente em mim, não é nada silencioso, desse que quer ser "o meu".

cansei de ser de mim.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

silenzio, no hay banda.

não há orquestra no meu coração
se comprime sem sopro, o pulmão.
nos dedos as baquetas não batucam
as pernas, quietas.
a boca, oh, a boca, sem canto, sem voz.

a mente GRITA
batuca
dança!
contraria o silêncio da banda e arteia dentro da alma.
rebelde,
é orquestra de si
para
si.

silenzio, HAY BANDA!

(algo pensado numa madrugada qualquer. não considero bom. mas também não considero ruim)

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

saudade.

de mim
de você
de todo
o
mundo
nós.
eu
e
você.

de que?
do porque
de não sei o quê
de algo
alguém
quem?

de quem
sente
saudade
de sentir
saudade.

dentro de todos nós, existe um eu.

procurei por mim durante todo esse tempo. mas só encontrei um pouco do que poderia ser eu.
contei os segundos enquanto achava que esperando, mais um pouco de mim, seria.
mas não fui.
não fui porque a espera me fez menos eu. me vez ver menos de mim.
me procurei em você, quando deveria me procurar no reflexo do espelho. me refleti em um coração, que ficava fora do meu próprio corpo.
deixei um cérebro estranho pensar pelo meu. e durante todo esse tempo, eu me perdia no meio de uma busca desigual.

ainda não me encontrei. mas sinto que estou quase me achando, dentro de mim, de eu, de você, de nós, do seu, do meu cérebro e coração.

dentro de todos nós, existe um eu.

Sábado, 6 de Junho de 2009

guardo.

só faz sentido quando o sentimento deixa de ser contido.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

minhas armas.

um tiro, um grito.
um amor, um clamor.

meu poder, meu querer
é renascer.
é ser.
 
sou arma
sou vida
eu sou
eu.



Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

soul.

diz-se que é
mas diz-me que não é
diz-se que sou
mas vos digo que nada soul.

Sábado, 16 de Maio de 2009

parados.

quatro horas da manhã. quatro horas da manhã e quarenta e sete minutos.
radiohead. radiohead nos ouvidos mais uma vez. all i need. é sempre assim. é sempre tudo que eu preciso.
tudo que eu preciso não faz sentido. não faz sentido prq eu não preciso de tudo. talvez nem precise de mais nada. é o que muitos me dizem. eu não preciso de nada. mas eu quero tudo.
é tudo que eu preciso. é tudo que eu quero.
meus olhos já ardem. meu corpo dá sinais de cansaço há muito mais de quatro horas. mas eu ainda não consigo fazer com que as palavras tenham sentido.
eu me sinto uma mariposa, que vai voar, voar, e quando parar, suas asas nunca mais irão bater.
esquecimento. tudo será esquecido e morrerá junto comigo. a solidão não é uma constante hoje. mas será amanhã. amanhã tudo vai parar. é como um relógico sem bateria. tudo morre.
tudo morre é o que o mundo precisa. e renascer. renasce pra mim pois eu parei,


agora.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

botafogo.

ficar sem escrever é como doença.
me para, me congela, me faz morta.
desanima e falece todos os meus sentimentos explicados.
renasce os sem resposta e recria os sem pergunta.
faz-me flor sem pétala e pétala sem rosa.

é como uma música sem beleza
sem tristeza.
é o riso sem dente.
é como o fogo sem chama
que queima dentro do meu coração.

é doença ficar sem escrever.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

às vezes.

às vezes a boca se cala, diante de tantas palavras e gritos dentro da mente.
a mente vira e desvira. trepida e cavalga. se movimenta.
são atos feitos, que o corpo não externa. mas eu só queria dizer. lhe dizer.
lhe dizer o quanto o certo é errado. e quando o errado é tão certo, quanto o meu sorriso.
o quanto eu sou errada, mas certa pra você.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

com açucar e com afeto. #2

ARREPIO
(Luiz com Z, 16 pra 17/4/09, 2:20-21 AM)

Pintinhas encolhem
Tantinhas
Bonitinhas
Se recolhem

com açucar e com afeto.

TOY HEART
(Luiz com Z, 16/4/09 pra 17/4/09, 2:07-2:13 AM)

Se trair
É subtrair
Um tantinho
De si que sai
Corpo escorre
Alma esvai
Ele corre
No caminho
Ela cai
No cantinho

Boneca de pele
Não é de louça
Quanto mais baque
Mais vira moça.

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

um pouco.

a incompreensão se fez uma só.
se fez eu, se fez você.
mas não é nós.

nos perdemos dentro do incompreendido.
nos segundos - e tato - do não sentido.
e nas dores do sentimento
alheio.
por meio de mim.
em mim.

eu tenho você em mim
e não
pra mim.

compreendo que
meu
só o meu
eu.

você
sou
eu.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

silenzio.

você, eu, nós, nunca estamos parados.
o corpo se cala, a natureza silencia, mas a mente viaja.
em toda viagem, uma nova experiência, um passo a mais no profundo da alma.
a cada letra, a cada palavra, é mais uma tela pintada.

uma caneta, uma folha em branco, uma reunião de sentimentos, palavras vomitadas.

a arte
nunca
se
cala.